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Pelas linhas dum e-mail conheci Fortaleza

O começo de uma viagem não é o rodar da chave de um carro na ignição, não é a decolagem, não é a saída do trem. O começo da viagem é imaginativo, é quando nosso corpo está sentado no sofá e, mentalmente, já pisamos outras calçadas, dobramos outras esquinas…

Felipe é um amigo que, durante um tempo, morou em Fortaleza. Quando me disseram que eu iria pra lá, foi a primeira pessoa que lembrei para me ajudar a construir imagens daquela cidade. Cordialmente, ele me escreveu um e-mail com suas impressões. Foi ali que comecei a viajar. Os primeiros passos que dei por Fortaleza foi na Fortaleza do Felipe; os primeiros lugares que conheci, foram os lugares que o Felipe conheceu e, ao final do e-mail, senti saudade da Fortaleza em que eu sequer havia estado. Abaixo, as suas palavras:

Fortaleza é uma cidade pequena com elementos provincianos arraigados na calçada e na mente do fortalezense, mas que aspira a grandezas como ser uma das maiores do nordeste, ou alguma outra dessas idiotices classistas…

Bom, os hotéis são na praia. Se alguém quiser lhe instalar na praia do futuro: fuja, corra, suborne alguém, mas não fique hospedado lá de jeito nenhum!  É uma grande favela onde a praia é bem frequentada (algumas barracas, já digo quais) durante o dia, e a noite, é um mar inteiro de assaltos. A barraca p/ ficar é a crocobeach ou vira verão. Qualquer outra não valerá pra você turista. No CE a praia não é democrática, aliás, no nordeste inteiro. Praia é praia dentro da barraca-restaurante. 

Todos os restaurantes da Av. beira mar valem a pena. Custo benefício é no Gepos. Recomendo também a sorveteria 50 sabores (tem mais de 50 sabores). Cocobeach é um ótimo restaurante na Varjota. Esse é bom bairro de restaurantes. 

Como você vai domingo, segunda, o pirata abre. É uma casa famosa na cidade – para o bem e para o mal. Todo o turista já ouviu falar. Se for, possivelmente encontrará muita prostituição infantil, infelizmente. Só abre segunda. Aliás, lá tudo tem dia certo para abrir. Simples assim. A “lapa” deles se chama Dragão do Mar, tem bons restaurantes, shows ao vivo, Unibanco Artplex, exposições, acrópoles, enfim, você deve gostar de lá. O movimento é maior no final de semana. Se for, conheça o Café Santa Clara! Esse lugar permeia meus sonhos até hoje.. 

Se tiver tempo, vale comer um carneiro no Carneiro do Ordones, restaurante famoso e preço médio. Existem outras comidas típicas. Comida no CE é em média a metade do valor do Rio. Basicamente tudo é mais barato (alguns passeios não). Falando em passeios, recomendaria o das “três praias”. Fica no leste e você termina com a sensação de que conheceu as praias do estado. Tem aquelas praias de novela. Custava R$ 50. É o dia inteiro. Cumbuco é a oeste. Muito famosa, mas muito, muito farofada. No oeste, só as de bem mais longe, 50, 60 km da capital. Jericoacoara fica no oeste (Valinor?), mas são 4h a 6h de viagem. Por experiência, ir p/ lá só vale ser for p/ ficar 3 dias – no mínimo! 

O shopping p/ se visitar é o do coroné Jereissati, o Iguatemi. Tem tudo e parece o BarraShopping. Émais próximo da Av. Beira mar, onde espero que fique hospedado. Outro que fui muito é o Aldeota Shoopping. Bom também. 

O mercado central é uma opção no centro da cidade para ser conhecido. Fica ao lado da catedral metropolitana que tem estilo gótico marcante. Mas, para comprar as “coisas” do lugar, só andando pelas ruas do Centro mesmo. Pq no mercado os homi tão preparados para turista. A feira da Av. beira mar (todo santo dia a partir das 19 h) é mais preparada ainda para turista. Cearense negocia muito mais que carioca, no centro então, nem se fala. Se passar pelo centro, visite também o teatro José Alencar, vale muito a pena. 

E, lembre-se, onde tem restaurante, gente menos pobre, shopping e afins; terá alguém pedindo dinheiro. Isso é uma infeliz constatação.  

Não é tudo que sei, mas acho que vai te ajudar a ficar esse pouco tempo. Se tiver dúvidas, pode mandar. 

Boa sorte, tudo de bom! 

Trago muitas saudades de lá. 

Muitas lembranças boas de um tempo que hoje se chama meu passado. 

Abraço!

“eita macho véio!”

Felipe Luiz da Silva, 16/04/2011

 E gostei tanto de viajar pela carta do Felipe, que pensei em desistir de Fortaleza pra ficar só com as suas imagens.

Antunes
Rio de Janeiro, 21 de maio de 2011

Que há de bom por aqui?

Sou movido a curiosições, investiguidades. Quando piso numa outra cidade, gosto de conhecer o que se mostra e o que se esconde por ali. Aproveito os momentos em que não estou trabalhando pra ir a pé por aí, desrumado, desencaminhado, a encontrar algum destino que se faça justo e, muitas vezes, descubro que o destino é o próprio caminho.

Dia nove, estive em Ribeirão Preto. Logo que peguei o taxi, perguntei ao motorista em tom de boa-noite: o que tem de bom aqui em Ribeirão? O sujeito repetiu a minha pergunta, pensou e saiu-me com esta: óia, tem umas termas muito boas aqui, uns barzim… ri e pensei cá com meus botões: não me fiz entender. Ao chegar ao hotel, fui conduzido em um carrinho elétrico até meu chalé. Nada satisfeito, perguntei ao motorista: e o que tem de bom por aqui? Uma coisa que o sinhô muito há de gostá, tem umas francesa e umas americana, aqui no hotel, boa mesmo. O fato foi que não descobri nada pra se conhecer em Ribeirão Preto. Passado o dia de trabalho, passarinhei-me a São José do Rio Preto. Tolo e insistente, assim que entrei no taxi, novamente, perguntei: o que tem de bom pra se conhecer aqui? Meu amigo – disse ele – tem coisa boa demais aqui em São José! Tem cada puterim que cê nem imagina. Isso foi o suficiente para o taxista me mostrar todos os pontos que não estão registrados nem no Google maps. Com maestria indicou-me e fez recomendações de todas e mais algumas zonas da região. Em frente ao hotel, indicou-me a zona ao lado: esta aqui é pé-rapada, mas, se precisar, dá pra quebrar um galho – estendeu-me seu cartão de taxista: qualquer coisa é só chamar. Então lhe respondi: amigo, se eu quisesse ir nesta zona, eu não chamaria um taxi, iria a pé e descalço.

Antunes – São José do Rio Preto, 11 de setembro de 2009 – 20:33