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Uma breve saudade

O avião vai subindo, Aracaju vai se empequenecendo ao som do de Moraes que vai se declarando o branco mais preto do Brasil. O avião sobe, dá saudade deste lugar tão acolhedor, mas o medo do avião é mais forte. Breve saudade: logo me fez ver que era passageira paixão. O medo é maior. Foram três dias: no terceiro ascendo novamente aos céus, rumo a Belém. Penso que nunca pensei que existisse uma cidade tão caju a ponto de levá-lo no nome. Há caju por todos os lugares: suas lixeiras possuem forma de caju, seus monumentos são grandes cajus. Parece que há um deus Caju a soprar um hálito doce, com cica, sobre a cidade. Os ônibus cheiram a caju, as moças mascam caju, em cada rua habitam vendedores de lindos e baratinhos cajus, como se fossem de brincar, e não são? São daqueles de brincar na boca, que nos vão aveludando o paladar.

Aracaju, me lembrarei de tua areia morena, tuas águas salgadas e também morenas. Esquecida Aracaju, não te esquecerei até esquecê-la. Guardarei comigo tua gente acolhedora, professora de humanidades. Ficará uma breve saudade: ou voltarei um dia, ou me esquecerei de ti, é como fazem os homens.

Antunes – Saindo de Aracaju, rumo a Belém – 17 de setembro de 2009.