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Sentar-se à mesa do vizinho

Comer em outro país é como sentar-se à mesa do vizinho. Não sabemos direito dos seus gostos e, de qualquer jeito, temos que empurrar a comida pra dentro. Na casa do vizinho é pra não fazer desfeita, em outro país, é pra não morrer de fome. Os bolivianos são loucos por frango. Estive por lá e afirmo que se pode encontrar frango dos mais variados jeitos a todas as horas. Uma coisa muito curiosa é que rodei as três principais cidades do país e não vi um Mc Donalds sequer, há raros Burguer Kings e Subway, mas Mc Donalds jamais. Todavia, o que faz sucesso mesmo são os Pollos Copacabana, uma rede nacional especializada em servir frangos. Funciona igualzinho a um Mc Donalds, você pode chegar e pedir a promoção número 1, por exemplo, só que no lugar de receber um Bic Mac, receberá uma coxa com sobrecoxa, batatas fritas, bananas e refrigerante! Curioso, não? Obviamente eu provei… é bastante gorduroso e meio nojento, mas o paladar é gostoso. Outras peculiaridades que encontrei na cozinha boliviana são: a falta de fiscalização sanitária e a pouca preocupação com a higiene, o gosto pelas mandarinas, os picantes, o quinua, as salteñas e o saboroso Sonso (já recomendados em outras postagens)…  As comidas pelo país são bem baratas se comparadas ao Brasil. As refeições geralmente são antecipadas por uma sopa (não cobrada) e finalizadas com uma simples sobremesa. Quanto às sopas, há das mais variadas. Pude, inclusive, provar uma distinta sopa de amendoim com batatas fritas e osso! Se o cardápio não lhe agrada, algo lhe servirá de consolo: lá, bem diferente do Brasil, não se cobram os abusivos 10 por cento do garçom!

Antunes
Rio de Janeiro, 29 de julho de 2010

Pollos Copacabana, o Bobs galináceo da Bolívia

Fazendo um lanchinho no Pollos Cobacana: frango, batatas, refigerante e bananas

Deliciosa sopa de Zapallo, uma espécie de abóbora

Paceña, a cerveja nacional mais famosa

Uma diversa refeição boliviana: carne de porco, batata escura, milho branco e grãos que desconheço

Uma espécie de queijo folheado na parada do ônibus, vai encarar? Eu não!

Sopa de Amendoim com batatas fritas e um pedação de osso no meio do prato pra dar um gostinho

Refresco de lima. Jamais tomem isso, é horrível.

Milkshake de sorvete + café + banana

Cuñapé, o pão de queijo boliviano

O Sonso Cruceño

Nôla Farias – PARTICIPAÇÃO ESPECIAL

Era o último dia em Santa Cruz de la Sierra. Tudo que queríamos era entrar num avião para voltar para casa. O dia foi vivido sentado em um banco de praça, pois não há nada que se possa fazer nessa cidade num domingo. O tédio era tão grande, que até à missa fomos, depois de jogar o jogo dos pontinhos. Pensamos: Vamos à missa depois fazemos um lanchinho naquela lanchonete bonitinha que tem ali.

Assim foi feito, assistimos meia horinha de padre e fomos encher nossas barriguinhas. Queríamos muito experimentar as tais salteñas bolivianas, pois ainda não tivéramos a oportunidade. Entramos na tal lanchonete modernosa e tivemos que apertar um botãozinho pra chamar o garçom. Ele veio e Vinícius deu a sorte de comer a última salteña da casa. Provamos também a empanada nacional que é frita, não assada. Mas algo faltava dentro de mim. Olhei para o lado e na vitrinezinha eis que vejo uma coisa amarelinha, apetitosa, brilhando e acenando para mim, me convidando a experimentá-la. O que é aquilo? – pergunto ao garçom. É sonso, um prato típico de Santa Cruz, feito a base de aipim e queijo, é muito bom! – responde ele. Hum, eu quero! – replico.

Vi a Deus. Tivera a melhor experiência gastronômica da viagem. No momento em que comia, já pensava em chegar em casa, comprar aipim, queijo, encontrar uma receita na internet e prepará-lo para saboreá-lo novamente. Dito e feito. Cheguei de viagem na segunda, terça fui ao mercado e encontrei uma receita e, finalmente, na quarta fiz o sonso.

Modéstia a parte, meu sonso não deixou nada a desejar em relação ao cruceño, ficou muito gostoso! E é muito simples de fazer. Se você tiver ficado com água na boca, pode tentar fazer em casa, abaixo vai a receita que eu segui.

SONSO

Ingredientes:

– 1 kg de mandioca cozida com sal

– 75 g de margarina

– 1 ovo

– 250 g de queijo meia-cura ralado

– 100 ml de leite (para regar)

Jeito de fazer:

– Numa tigela, coloque 1 kg de mandioca cozida ainda quente e amasse com o auxílio de um garfo ou amassador de batata. (Obs.:É melhor não passar a mandioca no processador para não tirar o toque rústico do prato.)

– Junte 75 g de margarina, 1 ovo e e 250g de queijo meia-cura.

– Misture bem.

Para a montagem:

– Numa assadeira retangular (25 cm x 20 cm C 4cm de altura), untada com margarina, coloque a massa de mandioca e polvilhe queijo meia-cura.

– Regue com 100 ml de leite.

– Leve ao forno a 200ºC por cerca de 20 min para gratinar.

Fonte: Receitas Mais Você

É bem fácil de fazer, mas é um pouquinho trabalhoso porque tem que amassar o aipim. O que me complicou um pouquinho foi que meu amassador de batatas quebrou enquanto eu o estava usando… Por isso fica a dica, cuidado com seu amassador. Fora isso, é super fácil. Além disso, todo o trabalho é compensado pelo sabor, pode acreditar! Se você fizer, convide a gente para experimentar!

Nôla Farias
Rio de Janeiro, 15 de junho de 2010

EL SONSO

A autora do texto e sua inspiração