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Tango-tchan!

Passam as épocas, passam as modas, passam… mas, algumas coisas perduram a despeito do tempo: em Buenos Aires é o tango. Tango, magnífico tanto, bailado com aquela imensurável sensualidade, tango das telas de Carlos Saura, tango que tive que ir até a Argentina para saber que sua origem está no candomblé. Tango, provavelmente a maior marca argentina. Vejam o samba no Brasil, parece imortal e sobrevive às suas milhares versões, deve ser assim também com o Tango. Há tango eletrônico, show de tango estilo broadway, o tradicional tango e o tango de rua. O tango que se consegue achar fácil na Argentina é aquele pra brasileiro ver, está em qualquer esquina de ponto turístico. A nós brasileiros faltou mostrarmos o quanto somos gratos. Passou-se a época do É o tchan! O grupo fez tchan no Havaí, tchan árabe, mas nunca rolou um Tango-tchan. Ia ser um sucesso! Por que falo isso? Pois a Argentina, pra agradar a nós, brazucas, praticamente lançou esta idéia (infelizmente antes de mim). As dançarinas de tango de rua estão além do sensual, estão perfeitamente vulgares com seus vestidos de rasgos ginecológicos, batons luz de zona e interpretações orgásmicas. Os brasileiros tarados agradecem.

Para quem quiser conferir como vai o Tango argentino, apesar de tudo, ou graças a tudo, muito bem bailado, ficam os vídeos abaixo.

Antunes

Belém, 7 de fevereiro de 2010

Camino al Caminito

Caminito é parte da história de Buenos Aires. Está lá, antes mesmo de suas cores berrantes. É lindo, dizem. Mas, mire de perto: é como uma favela, com seus tijolos e telhas de zinco. É a beleza atingida pela feiúra, ou a feiúra convertida pelo exagero da cor. Pelas ruas de artes elevadas pelas baixezas, há turista mesclado à dançarina de tango, gaucho mesclados a pintor-vendedor. Há regalitos, comiditas, musiquitas, bailitos… Acomode-se sobre a poesia sob a telha de zinco, ouça o tango de la guitarra, arrisque um corte da parrillada, siga camino al Caminito.

Antunes

Rio de Janeiro, 14 de janeiro de 2010

El gran gaucho y nosotros en el Caminito

 

 

 

Tienda del Caminito

Los colores del Caminito

Con Perón y Evita en el Caminito

Sobre la poesía

Parrilla en el Caminito

Los bailadores

En el Tango

Luas Bonaerenses

Minha fé é que as luas de Buenos Aires sejam as mais doces. Ainda nem fui, mas parece que já conheço o mel argentino e já escuto Gardel por todas as esquinas que passo. Todas as cores são Caminito e todas as dores são choradas por Mercedes e pelas mães, tias, avós, bisavós da Praça de Maio. Em alguns sonhos fui um curse a dançar tango e em outros fui o mais feliz do mundo com os gols de algum Diego. E comprei camisas azuis e comprei camisas brancas e comprei camisas azuis e brancas que sujei, todas, com o chocolate que caía de meus alfajores e churros com café, tomado às sacadas de alguma imensa livraria, outrora teatro, em que quis escrever estas palavras.

Antunes
Rio de Janeiro, 29 de dezembro de 2009