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O Império Tihuanaco

Houve vida antes dos Incas. Quando se pensa em América pré-colombiana as imagens de Incas, Maias, Astecas são esmagadoras. Mas outros muitos povos passaram pela imensidão americana e lhes restou o olvido da História. Os Tihuanaco estão em raros livros didáticos, mas sua presença é muito forte a três mil oitocentos e setenta metros de altura, nos Andes bolivianos. Ao redor das ruínas, vivem populações que ainda preservam o aimará e muitos costumes de seus ancestrais, mesclados a uma boa dose de catolicismo, é claro. A viagem pode ser vista como páginas de Realismo Fantástico, como capítulos sangrentos da destruição de um povo, como ricas lições de antropologia etc. etc. etc.  Certamente é um dos lugares mais interessantes de toda a Bolívia e fica a menos de duas horas do Centro de La Paz. Dentre as ruínas, estão as construções sagradas, resquícios de pirâmides, a imensidão da Pachamama, muralhas… todos saídos da rocha ainda que continuem sendo rocha. A visão é de um deserto extremamente seco, o cansaço é gigantesco: frágeis turistas devem agüentar frio sob sol, falta de ar por causa da altura e várias subidas e descidas. É ali, entre deuses de pedra que talvez se movam à noite que os turistas se movem de dia.

Antunes
Rio de Janeiro, 2 de agosto de 2010

Vários crânios fraturados: daí virá o Rachacuca? - Museu Tihuanaco

A múmia Tihuanaco.

Nós a 3.780 metros do nível do mar

Informações sobre os Tihuanaco ou Tiwanaku

Diante do que restou da pirâmide Tihuanaco

Um deus e um humano

um deus e uma deusa

Uma breve demonstração do poder das mulheres

Em um dos muitos portais

Degraus do império

Muralha

Brincando de ser deus do império

Local sagrado

Visão de cima do Império

Maquete do Império Tihuanaco

mercado para os turistas

PUMAPUNKU

No Pumapunku

A imensa Pachamama no museu Tihuanaco

Martín, el guía andino

Quando me aventurei nos interiores do Pará, tive a ajuda do grande guia da floresta, seu Luiz Gonzaga, que acabou se tornando uma espécie de amigo pessoal. Posso dizer que tenho sorte com guias, pois quando estive em La Paz e quis conhecer o Titicaca e as ruínas Tihuanaco, contei com a destreza, inteligência e simpatia de Don Martín. Exato. Martín como o argentino Martín Fierro. Porém, este, bolivianíssimo. Contou-me, entre sorrisos, a história do Centro de La Paz, narrou-me aventuras durante o caminho e me aguardou pacientemente visitar cada museu do império Tihuanaco.

Recomendo: quem for para La Paz, contrate os serviços do guia Martín que o levará de carro, por um preço justíssimo, para conhecer os mais fantásticos lugares bolivianos.

Faça contato com ele através dos hotéis LP Columbus

LP COLUMBUS: Stadium Miraflores, Av. Illimani N° 1990 • Telf. (591-2) 224 2444 Fax: (591-2) 224 5367, La Paz – Bolivia

Site: http://www.lphoteles.com/

Recomendo, também, muito bem, o hotel.

Obs.: Esta propaganda é inteiramente gratuita, ou seja, não ganhei nem um tostão para fazê-la, faço motivado pela qualidade do guia.

Antunes
Rio de Janeiro, 29 de julho de 2010

Don Martín, o guia e seu carro diante do Titicaca

Ar leve e seco como a rocha

“Otra vez este flamear invisible, seco, que se pega a los cuerpos. Me parece que debería abrirse una ventana en alguna parte para que entrase el aire.”
(Augusto Céspede, El Pozo)

Soroche: É um efeito causado pela falta de oxigênio. Apresenta sintomas claros e perigosos: indisposição geral, seguida de forte dor de cabeça e uma ânsia de vômito incontrolável. (fonte: http://www.arqueologiamericana.com.br)


Em La Paz, não sofri em momento algum com o maldito SOROCHE. Estive tal agnóstico que só sabe que há diabo porque lhe disse alguém. Não senti o Demônio, mas o suposto Cão atacou minha esposa. A pobre teve dor de cabeça, vontade de vomitar, sono…  nem a água benta chamada CHÁ DE COCA lhe tirou o mequetrefe do corpo. Seus pulmões não foram suficientes, mas os meus, treinados por quase três décadas de bronquite, adquiriram resistência aos mais de três mil metros de altura (cada vez creio mais na lei da compensação). Até admito que em La Paz não funcionei como funciono no Rio de Janeiro: faltou aquela energia pra dar o pique atrás do ônibus, as ladeiras pareceram sempre maiores, o corpo mostrou-se mais pesado… porém cheguei a imaginar que isso eram apenas setas de Satanás e não o Cramunhão em sua íntegra. Das facetas fantásticas do ar, a única com que tive contato foi a Secura. Em La Paz, talvez não sejam todos atingidos pelo SOROCHE, mas parece-me impossível não ser atingido pela aspereza do ar, seco com uma rocha. A cidade parece contrariar as leis da natureza e apresentar ar em estado sólido. A boca logo fica seca e descasca, a sede é constante. Há, ainda, uma mescla improvável, presente em uma música popular latino-americana gravada e repensada por Chico Buarque: “Soñé que el fuego heló. Soñé que la nieve ardia.” La Paz é neve que arde: sob um frio de quase zero grau, é possível ficar queimado de sol sem perceber e sem derramar suor. Depois de andar pelas ruínas Tihuanaco, cheguei ao hotel no centro de La Paz com a pele totalmente seca e queimada, chegava a descascar. Eu poderia confundir-me com o chão de terra batida do império: desértico e maltratado pelo Sol. Foi então que percebi que o Soroche e a Secura não eram intervenções diabólicas, mas as mãos dos deuses andinos que queriam converter o invasor pseudoeuropeu em pó seco, apenas para que o pesado vento me levasse dali.

Antunes
Rio de Janeiro, 15 de julho de 2010

Em meio ao Tihuanaco: frio, sede e sol forte. Muita água para combater a aspereza do ar.