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La Paz de Dios

LA PAZ

Eu juraria por Deus ver uma favela, mas também juraria ver uma espécie de Israel. Sempre ouvira que favelas são chagas no tecido social, no entanto, naquele instante, eu gozava da beleza que via. Daí duas opções: ou não eram chagas ou eu atingi um grau de loucura que sentia prazer em ver aquelas feridas sobre a terra. Era possível que a altitude tivesse se apoderado e enlouquecido minha cabeça, mas o que eu mais temia é que o coração tivesse se apoderado de meu cérebro e simplesmente eu me apaixonara por tal lugar, ainda que fosse uma visão tão distante dos padrões de beleza, mas tão próxima de algum lugar da minha infância, quiçá aquelas casinhas de tijolo me remetessem a imagens de barracos que eu via, ainda menino, ao passar por algum viaduto de Cavalcante ou ao cruzar alguma avenida de Magalhães Bastos.  Eu estava alto. Alto como jamais estivera. Ébrio de altura. Abaixo, La Paz com seus infinitos tijolos, acima, eu, brincando de olhar como Deus, a jurar por mim às verdades que vi.

LA PAZ Y YO

Antunes
Rio de Janeiro, 13 de julho de 2010

Camino al Caminito

Caminito é parte da história de Buenos Aires. Está lá, antes mesmo de suas cores berrantes. É lindo, dizem. Mas, mire de perto: é como uma favela, com seus tijolos e telhas de zinco. É a beleza atingida pela feiúra, ou a feiúra convertida pelo exagero da cor. Pelas ruas de artes elevadas pelas baixezas, há turista mesclado à dançarina de tango, gaucho mesclados a pintor-vendedor. Há regalitos, comiditas, musiquitas, bailitos… Acomode-se sobre a poesia sob a telha de zinco, ouça o tango de la guitarra, arrisque um corte da parrillada, siga camino al Caminito.

Antunes

Rio de Janeiro, 14 de janeiro de 2010

El gran gaucho y nosotros en el Caminito

 

 

 

Tienda del Caminito

Los colores del Caminito

Con Perón y Evita en el Caminito

Sobre la poesía

Parrilla en el Caminito

Los bailadores

En el Tango