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A insistência da arte: entre prédios e viadutos

Os mineiros nos convencem pelo tanto que repetem. Repetem até ser natural, tão natural que parece brincadeira, tão brincadeira que parece sério. A arte: insistência nela. Sob o relógio da Estação está O Museu das Artes e Ofícios: mistura de trabalho e arte, se é que há separação. O lugar que abriga trabalhadores a ir e vir, abriga a história do trabalho. Se no lugar de pincéis, tivéssemos martelos? No lugar de quadros, tivéssemos bigornas? No lugar de ateliês, cadeiras de dentistas? É assim o museu das Artes e Ofícios. Bem próximo, o Palácio das Artes (embora eu ache – como Manoel – que as artes moram no esgoto e não em palácios). Ali, artesanatos são vistos: mas os artesanatos são artes ou ofícios? E quando a arte é ofício, deixará de ser-se? E assim BH insiste na arte, ao ponto de a vermos em todos os cantos: na cara do povo, nas nuvens do céu, nos mendigos da rua, nas estátuas de gente, nos matos caídos, nos palácios esguios, nos barracos à mostra e no despropósito das crônicas.

Antunes

Rio de Janeiro, 6 de dezembro de 2009

Ofício da vez: os carranqueiros

Museu das Artes e Ofícios

A bigorna, não é só em desenhos do Pernalonga que aparece

O Palácio das Artes

Dentro do palácio sem reis

Arte? Numa barraca do Parque Municipal

Arte? Foto ou pintura? Um deus brinca com as nuvens

Palavra de quem sabe

E não é só nos filmes. Antes fosse, porém não é. Não é só nos filmes que estão aqueles terratenentes, coronéis, latifundiários. O interior do Pará é um ninho deles, ninho da elite mais caquética, reacionária e faraônica do Brasil. Voam nos aviõezinhos entre abraços e apertos de mãos: Olá, deputado, Olá, senador. Onde era pra ser floresta, são fazendas infindáveis com um número tão findável de vacas que dá para contar nos dedos. Andam pelas ruas com seus sorrisos de promessas e estão pelos hotéis. Pra eles, sempre é hora do café da manhã. Conheci um assim, no hotel de Canaã. Já não aguento mais o governo Lula, dizia ele. Com esta coisa de bolsa família está acabando com os trabalhadores. Seu João, cuide disso, pois se Lulinha dá bolsa pros seus funcionários do hotel o senhor vai perder todos. E no auge de sua graça estendeu a mão e chamou a cozinheira: Vem cá, dona bolsa família. Cê não tem não, né? Ela esquivava os olhos. Pois, garanto, se cê tivesse ia preferir ficar em casa do que trabalhar. E assim são os senadores, deputados e parasitas no geral, preferem viver da nossa bolsa megafamília do que trabalhar. Aposto que o doutô falou por experiência própria.