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Praia do Futuro

Saí de Meireles, caminhei rumo a Iracema, voltei a Meireles, passei por Mucuripe, tentei ancorar na Praia do Futuro que me instigou por seu nome. Como os navegantes portugueses, eu queria dobrar a quina do cais do porto para rebatizar a praia. Deixaria de ser Praia do Futuro para ser pra Praia do Presente e seria meu presente ancorar por lá como O Cabo das Tormentas foi o presente de Vasco da Gama.

O mar medieval intransponível: a orla de fortaleza. O navegante: eu. Os monstros marinhos: infinitos perigos por aquela orla que eu conhecia só de ouvir falar. Piratas, piratas e piratas: jamais se extinguiram do mundo, jamais se extinguirão.

Em Fortaleza, não só o dinheiro premia com a vista pro mar, a pobreza também. A favela atrás dos luxuosos hotéis, eu atrás do perigo.

Praia do Futuro: o que quis nos dizer quem cunhou seu nome? O futuro é a pobreza, a violência, o perigo, a favelização, a desigualdade escrachada, o medo, o terror, o pânico?  O futuro somos nós. O futuro não somos nós.

– Ei… ei… ei… – incansavelmente vozes me interrompiam por Fortaleza.

Tenho a mesma curiosidade que a esposa de Ló. Olhei. Desta vez não era perigo. Era um segurança de hotel.

– Senhor, não venha para estes lados. Vão assaltá-lo se continuar aqui.

Fiz-me de desentendido, como se não fosse o milésimo aviso. Como eu iria explicar-lhe que eu precisava escrever e fotografar pro meu blog?

– Senhor – insistiu – vá para o seu hotel.

Desta vez, atendi ao toque de recolher. Missão abortada. Não atingi a Boa Esperança, nesta história, restaram-me as tormentas, coube-me ser Bartolomeu Dias.

Antunes
Rio de Janeiro, 3 de junho de 2011

Um menino na orla de Fortaleza

Na falta de quem me fotografe as autofotos são sempre bem-vindas

Barracas de Peixe em Direção à Praia do Futuro

Brincando de Bartolomeu Dias e Vasco da Gama, tento vencer o Cabo das Tormentas

Há favela de frente pro mar

Paraíba ou não, o nordestino e a tradição

O futebol serve muitas vezes, além de entreter, para nos marcar com pérolas culturais, artísticas, línguísticas e por aí vai. Em 1997, ano em que o Vasco da Gama foi Campeão Brasileiro, Edmundo lançou a seguinte reclamação: “A gente vem para a Paraíba e botam um paraíba para apitar. Só podia dar nisso.”¹ O curioso é que ele fazia referência ao América de Natal do Rio Grande do Norte e ao árbitro cearense Dacildo Mourão. A mídia caiu de pau sobre o animal e estava armada a polêmica! Quando foi novamente entrevistado, Edmundo argumentou: “É que no Rio a gente chama de paraíba todo mundo que é do Nordeste.” E, imagine, leitor, a mídia mais uma vez fez banquete de animal. Agora, fiquem atentos os que vem de fora, pois preconceituoso ou não, o termo é mais do que comum no Rio de Janeiro e, digo até que o Edmundo (que é de Niterói) foi moderado, pois os mais radicais dizem: “Passou da Ponte Rio-Niterói, é paraíba.” Tão comum é o termo que se você perguntar pelo Centro Luiz Gonzaga de Tradições Nordestinas, muita gente não vai nem ter idéia do que se está falando. Os cariocas chamam mesmo é de Feira dos Paraíbas e os nordestinos, cá ambientados e sem mácula (creio eu), também dizem: é a Feira dos Paraíbas.
A Feira é de facilíssimo acesso e fica no Campo de São Cristóvão, bairro que outrora abrigou a família Real e talvez seja o bairro carioca com maior quantidade de nordestinos por metro quadrado. Antigamente, muitas pessoas confessavam seu nojo em comer na feira, pois não passava de um amontoado de barracas com aparência insalubre. Hoje em dia, a Feira conta com barracas organizadas, com restaurantes que variam do simplório ao caro e podem receber tanto os que querem fazer um almoço barato, quanto os turistas que querem chamar picanha de carne de sol. A comilança é a marca principal da Feira, porém não se pode esquecer a variedade de cordéis, artesanato típico (e caro), além de utensílios dos mais variados, tais como abridor de garrafas em formato de pênis. Para os que gostam de um forró arrasta-coxa, a feira também conta com shows de música nordestina em que se pode ver preciosíssimas figuras dançando.

1 – Pra quem não lembra, basta ir no youtube, o link é: http://www.youtube.com/watch?v=1DrobSUuNNk

Antunes

Rio de Janeiro, 13 de abril de 2010

Com Luiz Gonazaga que dá nome à Feira

A comida é boa e barata. Dá pra escolher o restaurante à vontade.

Guaraná Jesus, um clássico entre os clássicos

O palco onde rola o forró

Tem literatura de cordel pra todos os gostos

E tem nordestino que vai só pra descansar e ver televisão

Tem uns objetos estranhos como abridor de garrafa feito de pau (em todas as suas acepções)