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Veredas

Pobres os cegos que jamais verão o que vi. Em uma lata de sardinha disfarçada de ônibus atravessei os Vales Centrais da Bolívia, pelas janelas vi o Sol nascer e morrer, vi a Lua surgir e partir por dentre relevos que não sei classificar e, graças a isso, ganharam conotações ainda mais incríveis, pois faltavam-me conceitos, as palavras não davam conta. Os cactos não explicavam os rios, as rochas não explicam a relva, os jumentos perdidos entre o nada talvez guiassem as cholas para lugar nenhum que não fosse o próprio ali.  Eles, todos, móveis e imóveis, ficavam. Eu imóvel passava, de Santa Cruz rumo a Sucre.

Antunes
Rio de Janeiro, 14 de julho de 2010

Vi o sol morrer

Vi o sol nascer pelas sujas janelas do ônibus

O sol nasce a conversar com o rio

As cholas visitam o ônibus a gritar MANDARINA

Casebre boliviano

Cactos sucreños dentre capins

Dar com os burros n'água

Vales Centrais