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A Terceira Ponte e o Farol de Santa Luzia

Dê-me luz! Alumbra-me pra escrever este texto, pois já escrevo vários seguidos e a escrita cansa. Não mais, disse Camões ao final dos Lusíadas, todavia eu, teimoso, digo: um mais!

Tolo, achei que engarrafamento fosse coisa de paulista e carioca. Engarrafamento é coisa de capixabas também, de capixabas que vão a Vila Velha (a mais antiga e populosa cidade do Espírito Santo, superando até a capital) na hora do rush. Sair entre 17 e 18 horas do trabalho, significa ficar preso na Terceira Ponte. Cabe lembrar, Vitória e Vila Velha são como Rio e Niterói, se continuam e se comunicam por ponte. Porém a Ponte III (gostei assim) só tem duas pistas de cada lado, é apertada que nem funil e engarrafa à toa. Sua construção e seus mitos também são históricos: dizem (como sobre a Ponte Rio-Niterói) que vários esqueletos de trabalhadores mortos na obra estão presos nela até hoje e que é o lugar mais propício a um suicídio programado, os que saltam lá de cima não são raros, são cotidianos, contam-me.

Fui conhecer Vila Velha e comecei pelo Farol de curioso nome: Santa Luzia. Curioso, pois se o leitor não sabe, Santa Luzia é a padroeira dos olhos, sendo assim, é um nome mui alusivo para um farol que dá luz ao navegante à noite, justamente quando menos vê. Apesar de não estar aberto a visitas, fui visitá-lo e a vista é boa, garanto. Embaixo dele, bem pertinho, bate água do mar, o clima é agradável e bom de ficar. Depois disso, vale o passeio pela praia da Costa, jantar num quiosque ou num dos restaurantes à beira e ficar ali até cansar de descansar, pois à noite só acaba mesmo quando o farol se apaga e sai o sol.

Antunes
Vitória, 17 de dezembro de 2009

A Terceira Ponte, entre os vãos o Convento da Penha

O monstruoso engarrafamento pra se chegar té Vila Velha

O farol de Santa Luzia, luz aos cegos

A vista do farol

Barquinhos sob o farol

Pôr do sol em Vila Velha

Quando te batizaram assim, já devias ter certa idade. E por isso dizem-te velha? Não ligue, não te importes, vê este texto, nasceu agora e já tem suas rugas, seus defeitos, seus pesares. Evoco Paris, longe de se contar nos dedos a sua idade; e Pequim, quantos anos deve ter? Ao lado delas estás nova, vigorosa, forte… Não te deprimas, Vila do Espírito Santo. Afinal, 1535 está logo ali.

Ontem desabotoei a camisa e deitei sobre teu corpo de areia, sei que não sabes, afinal, quem sou eu diante de ti? Fiquei na Costa, esperando a noite pra ficar ao escuro contigo. Repousei e queria ir ao teu convento, ver-te de cima, mas conventos não abrem à noite, principalmente pra mim, explorador, turista, vouyer…

Lavei os pés em tuas águas, limpei-me de tuas areias, depois de suar, comer, dormir… parti e ainda nem era dia, atravessei a ponte que hoje te separa de mim. Adeus, velha, desculpe, senhora, dona, sei lá, um dia volto e nem te lembrarás mais desta noite (mas eu, sim).

Antunes
Vitória, 17 de dezembro de 2009

Abandonando-te, Vila. Abandonando-te, Velha.

Deitado sobre o corpo de areia

O convento e o pôr do sol

Vila Velha, mas jeito de garota. Vista da Praia da Costa.